Jun 13

Quem diria: a Fiat, que em 2002 viveu a pior crise de sua história, com um prejuízo acumulado de 1,4 bilhão de euros, agora é a marca que mais cresce na Europa. No primeiro semestre deste ano, as vendas de veículos no Velho Mundo encolheram 1,1%, enquanto as da Fiat cresceram 6,7%. O principal responsável por essa mudança tem nome, segundo a empresa. É o Fiat Grande Punto, modelo lançado lá em 2005 e que já teve mais de meio milhão de unidades produzidas. Agora é a vez de o Brasil conhecer esse carro, que no mês passado começou a ser produzido e vendido no país. Com ele, a Fiat espera assegurar a posição de líder em nosso crescente e cada vez mais concorrido mercado. A expectativa é vender 2 500 unidades mensais, meta modesta se comparada ao volume de quase 20 000 unidades mensais do Palio. Mas, ainda assim, um número importante diante das cerca de 1 000 unidades do Stilo. Na Europa, o Punto representa 40% das vendas da Fiat. Mas será que o que é bom para a Europa é bom para o Brasil?

Para ter essa resposta, submetemos o Punto (no Brasil, ele vai se chamar apenas assim) a uma dura sabatina. Levamos duas versões (1.4 e 1.8) para um teste completo na pista e ainda comparamos a 1.4 ELX com dois de seus principais rivais: Citroën C3 GLX e VW Polo 1.6.

O Punto chega em quatro versões: 1.4, 1.4 ELX, 1.8 HLX e 1.8 Sporting, com preços entre 37 400 e 51 900 reais. “Vai disputar os compradores de compactos premium e de hatches básicos”, afirma o diretor comercial Lélio Ramos. Dentro de casa ele briga com as versões do topo da linha Palio e as básicas do Stilo. A ELX, que você vê nestas páginas, sai por 41600 reais na versão básica, que traz ar-condicionado, direção hidráulica, computador de bordo, faróis de neblina, vidros (dianteiros) e travas elétricos e imobilizador Fiat Code de série. Segundo a Fiat, essa versão deve responder por 60% das vendas do modelo, enquanto a básica ficará com 10% e as outras duas 1.8 terão 15% cada uma.

A posição intermediária entre Palio e Stilo não está só no preço. O Punto é 19 centímetros maior que o Palio e 22 centímetros menor que o Stilo. No entreeixos, que dá a medida do espaço reservado à cabine, o Punto é 9 centímetros maior que o Palio e 14 centímetros menor que o Stilo. Só no portamalas, com 280 litros, o Punto fica atrás do Palio, com 290 litros, e do Stilo, onde cabem 380 litros.

Berço robusto
Ao volante, o Punto é um autêntico Fiat, no padrão de acabamento, no comportamento e até no cheiro de carro novo que impregna a cabine. No trânsito, sua suspensão é macia como a de um Siena. A direção é rápida, ainda que um pouco pesada nas manobras de estacionamento. E o câmbio do 1.4 foi escalonado com as três primeiras marchas mais curtas, para garantir certa vivacidade nas arrancadas, enquanto as outras duas são longas, para assegurar economia e menor nível de ruído. Aliás, a mesma receita seguida no Palio. No Punto 1.8, como o motor tem mais fôlego, essa diferença de respostas é menos clara - assim como no Stilo.

Na pista de testes, o Punto se revelou bem mais divertido que os irmãos. Isso porque ele é mais bem assentado que o Palio (por causa das maiores bitolas dianteira e traseira e dos pneus aro 15, no lugar de 14) e tem centro de gravidade mais baixo que o Stilo (que é mais alto e pesado). O Punto apresentou ótima dirigibilidade, mantendo-se sob controle mesmo quando provocado. Nas curvas, ele se comporta de maneira neutra, ainda que o motorista retire o pé do acelerador repentinamente, condição em que é comum a traseira perder a aderência. Esse equilíbrio tem a ver com a suspensão e também com a construção da carroceria. Segundo a Fiat, o Punto já nasceu com uma estrutura robusta e, para rodar no Brasil, recebeu ainda mais reforços nos lugares de maior tensão, como os pontos de fixação da suspensão. “O Punto tem ótima rigidez torcional, 10% maior que a do Palio”, afirma o diretor de engenharia Claudio De Maria.

O desempenho das duas unidades, 1.4 e 1.8, ficou dentro das médias alcançadas por veículos como Palio e Stilo, com motorizações semelhantes, em testes anteriores. Mas era de se esperar alguma melhoria, uma vez que os dois motores passaram por aperfeiçoamentos antes de equiparem o Punto. O dois tiveram as centrais remapeadas e ganharam novos coletores de admissão (com dutos de maior diâmetro). No caso do 1.4, houve ainda a troca dos coletores de escapamento. No lugar do tradicional ferro fundido, entrou uma peça de aço tubular, para facilitar o fluxo e diminuir perdas de carga. Na prática, no motor 1.4, a potência (com álcool) passou de 81 cv a 5 500 rpm para 86 cv a 5750 rpm e o torque se manteve em 12,5 mkgf, mas em regime mais alto. O volume máximo passou a chegar nas 3500 rpm, enquanto no Palio ele vem nas 2250 rpm. Mas, segundo a Fiat, não houve perdas. “A curva de torque ficou mais plana, com força disponível em uma faixa de funcionamento mais ampla”, afirma o engenheiro Daniel Basoli. O motor 1.8 ganhou 1 cv, totalizando 115 cv. Essas mudanças não serão incorporadas aos motores de mesma cilindrada de Palio e Stilo, segundo a Fiat.

As novidades mais importantes não estão nos motores, porém, nem no sistema Blue&Me (veja na pág. 82) e nem, muito menos, no design criado pelo estúdio italiano Giugiaro - que é importante, mas dispensa apresentações. Digna de nota é a tecnologia voltada para a segurança. Desde a versão ELX, o Punto pode vir equipado com duplo airbag frontal e freios ABS de última geração (8.1), itens oferecidos como opcionais dentro de um pacote chamado HDS (High Safety Drive) vendido por 2 900 reais. Para as versões 1.8 existe ainda a possibilidade de adicionar airbags laterais e sistema de proteção de cabeça para colisões traseiras (anti-whiplash), ao custo extra de 2 460 reais. Melhor seria se esses recursos fossem equipamentos de série, como ocorre nos países desenvolvidos - na Europa e nos Estados Unidos, a briga agora é para tornar o ESP obrigatório. Mas é uma evolução. Tecnicamente, a possibilidade de vir equipado com esses sistemas demonstra a modernidade do Punto, que conta com uma nova arquitetura eletrônica que permite esse tipo de instalação. Se o foco for para modernidade e segurança, a resposta àquela pergunta no início do texto é um sonoro “sim”. Nesse aspecto, o que é bom para a Europa é ótimo para o Brasil.

Minissaias
A Sporting 1.8 é a versão top e também a mais esportiva da linha. Mas seu reinado dura somente até a chegada de uma quinta versão, que deverá ser a Abarth, assim como ocorre com o Stilo. Essa versão mais apimentada deve chegar no início do ano que vem, depois do sedã Linea, e virá com um novo motor, que poderá ser turboalimentado e com potência próxima aos 200 cv. Não será o mesmo motor 1.9 que virá a bordo do Linea.

A diferença do Sporting para o HLX, que tem o mesmo motor 1.8, está principalmente no visual. Por fora, o Sporting tem faróis com lentes escurecidas, minissaias laterais, spoiler traseiro e ponteira de escapamento cromada. Por dentro, os frisos do painel, os aros dos instrumentos e as maçanetas das portas são vermelhos, assim como os cintos de segurança. Os pedais são esportivos, recobertos com metal. Em relação ao conteúdo, há as rodas de liga leve, de aro 16, e o kit de segurança com duplo airbag e ABS, que é opcional no HLX.

Em nosso primeiro contato, o Punto Sporting 1.8 impressionou mais pelo visual que pelo bem comportado desempenho, com média de aceleração de 0 a 100 km/h de 12,6 segundos e velocidade máxima de 173,5 km/h.

Apr 11
Fiat Punto
Renault Sandero

Enquanto o Fiat Punto brinda seu comprador com um desenho caprichado, digno de estampar a assinatura do designer Giugiaro em um pequeno adesivo colado na porta traseira, o Renault Sandero esbanja espaço interno sobre seu concorrente, qualidade mais comum em veículos superiores, como o Volkswagen Golf, por exemplo.

Por cerca de R$ 41 190, é possível adquirir a versão 1.6 8V do Sandero com o melhor acabamento disponível para a linha, chamada Privilège. Completo, o carro oferece até mesmo vidro elétrico nas janelas traseiras. Já por R$ 42 780, o Punto traz a versão ELX 1.4. Ela conta com ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos de série.

Ficou em dúvida sobre qual escolher? Para ajudá-lo, o Carro Online reuniu as duas versões que disputam o mesmo perfil de comprador: jovem, já com algum dinheiro no bolso e que procura algo mais do que os hatches pequenos como Palio e Clio, por exemplo, podem oferecer. Confira abaixo qual é o vencedor deste duelo.

Fiat Punto
Renault Logan

Desempenho
Ao entrar no Punto, tudo tem um clima envolvente. O longo painel leva ao motorista uma sensação de profundidade, o banco oferece excelente apoio para o corpo e o volante tem uma “pegada” precisa, sobretudo pelo recorte para acomodar o polegar. O problema é que grande parte do encanto passa ao darmos a partida no carro. O motor 1.4 flex com 86 cv de potência a 5 750 rpm, utilizando álcool, mostra-se insuficiente para o carro que equipa. Como o torque de 12,5 kgfm só é atingido a 3 500 rpm, é preciso acelerar o Punto com vontade para o carro ficar mais animado. Outro fato que colabora para piorar o desempenho do Fiat é o seu peso, de 1 115 kg. Logo, cada cavalo-vapor é responsável por deslocar 12,9 kg.

No Sandero, o motor 1.6 8V Hi-Torque se mostra bem acertado no hatch francês. Ele é capaz de desenvolver 95 cv de potência a 5 250 rpm e 14,1 kgfm de torque a 2 850 rpm, ambos com álcool. Por oferecer mais força em baixas rotações, o Sandero vai melhor no trânsito urbano que o Punto. Mais leve (1 055 kg), o hatch da Renault possui uma relação peso/potência de 11,1 kg/cv. Um detalhe interessante no propulsor utilizado pelo Sandero é o acerto da marcha lenta a 500 rpm – taxa geralmente encontrada em motores maiores –, que colabora para a diminuição de ruído na cabine com o veículo parado.

Fiat Punto
Renault Sandero

Dirigibilidade
Se o Punto peca no desempenho, ele compensa no acerto da suspensão. O veículo é firme, sem a maciez excessiva encontrada no Siena, por exemplo, mas ao mesmo tempo se mantém confortável. O Sandero, por sua vez, é um pouco mais suave que o Logan, principalmente na parte traseira, porém, oscila a carroceria em curvas mais fechadas.

Um defeito comum aos dois veículos deste comparativo é o câmbio. Ambos têm relações muito longas e, enquanto o do Punto parece enroscar em algumas trocas de marcha, o do Sandero não é nada suave, com uma alavanca que exige um pouco de força do motorista.

Comparado ao Punto, um equipamento que causa certo desconforto no Sandero é o seu espelho retrovisor externo, que parece pequeno demais para as proporções do veículo. No modelo italiano, a peça é maior e oferece um campo de visão superior ao condutor. Ambos dispõem de regulagem em altura para o banco do motorista, mas o Punto oferece, além disso, regulagens de altura e profundidade para o volante, não disponível no modelo da Renault.

Design
É inegável que o Sandero apresenta uma melhora considerável em relação ao Logan quando o assunto é design. Com traços mais modernos, nem parece que o hatch é da mesma família que o sedã, a não ser pela lateral sem muitas inovações, assim como a solução de utilizar o mesmo retrovisor nos dois lados do veículo para baratear o modelo.

Mas o Punto é mais unânime quanto à aceitação do seu desenho que o concorrente. Se o Sandero está mais para o “ame-o ou deixe-o”, o Punto parece já ter conquistado uma legião de fãs. No interior, o painel “abraça” o motorista, e até mesmo as maçanetas internas são mais trabalhadas e oferecem mais refinamento ao habitáculo, inclusive com o desenho que acompanha a lateral do modelo.

Fiat Punto
Renault Sandero

Mercado
Segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), o Punto vendeu, no acumulado deste ano, mais que o dobro de unidades do Sandero. Nos meses de janeiro e fevereiro, a Fiat colocou nas ruas 6 680 unidades do hatch, enquanto a Renault comercializou 2 439 veículos, englobando todas as versões dos dois modelos.

Falando especificamente do Punto ELX 1.4 e do Sandero Privilège 1.6 8V Hi-Torque, o hatch da montadora italiana possui 4 676 carros emplacados no período em questão contra 379 unidades do francês.

Preço/equipamentos
O Punto é R$ 1 590 mais caro que o Sandero, ou seja, por essa diferença, é possível equipá-lo com rádio e ainda ficar com uns trocados no bolso. Mas vale a pena frisar que o Punto entrega um interior mais caprichado que o seu concorrente, que sofre por herdar a “humildade franciscana”, segundo a qual o Logan foi concebido. Ambos já oferecem de série, como mencionado no início, um bom pacote de equipamentos, composto principalmente pelo quarteto ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos.

Enquanto o Sandero oferece poucos, mas importantes opcionais como as bolsas infláveis para os passageiros da frente, o Punto disponibiliza o mesmo equipamento em conjunto com o ABS por R$ 2 989 em um pacote chamado HSD (High Safety Drive, ou alta segurança ao dirigir). Além dele, diversos itens de conforto podem ser incorporados, o que já se tornou uma peculiaridade da Fiat, como os sensores de chuva e crepuscular combinados com o retrovisor interno eletrocrômico (R$ 1 503) e o teto solar elétrico Skydome (R$ 5 438). Com todos os opcionais oferecidos pela Fiat, o Punto acrescenta R$ 17 864 ao preço básico e atinge os R$ 60 644.

Fiat Punto
Renaul Sandero

Acabamento/espaço/ergonomia
O Sandero tem espaço para dar e vender. Há lugar para os passageiros na frente e pessoas com mais de 1,80 m não se sentirão incômodas no banco traseiro com a cabeça raspando no teto, algo muito comum até em modelos maiores. Apesar do revestimento de veludo nas portas e nos bancos oferecido na versão Privilège, a sensação ao entrarmos no Sandero é que falta um algo a mais no interior.

A ergonomia do hatch francês é muito prejudicada em nome das soluções para reduzir custos. Os acionadores dos vidros elétricos traseiros, por exemplo, estão posicionados no túnel central, localização muito ruim, principalmente quando há uma terceira pessoa no banco traseiro. Já no Punto, os controles ficam bem à mão, instalados na porta. Apesar de não ser uma referência em espaço interno, o Punto pelo menos entrega o algo a mais que falta à cabine do Sandero.

Fiat Punto
Renault Sandero

Manutenção/seguro/garantia
Em um levantamento realizado por todo o Brasil, cotamos o seguinte conjunto de peças para os dois modelos: farol dianteiro direito, jogo de pastilhas dianteiras e amortecedores, velas, pára-choque e pára-lama dianteiro, retrovisor externo manual e troca de óleo com mão-de-obra. O Punto foi o que cobrou menos pelo conjunto, que ficou em R$ 1 957, enquanto o Sandero pediu R$ 2 136 nos mesmos itens.

Em relação ao seguro, vantagem também para o Punto. Cotado na Porto Seguro, o valor ficou em R$ 3 358. Na mesma empresa, o seguro do Sandero é avaliado em R$ 3 575. A favor do modelo da Renault, está o melhor índice de reparabilidade levantado pelo Cesvi Brasil (Centro de Experimentação e Segurança Viária) com valor 13, enquanto o Punto obteve índice 15 – nesse caso, quanto menor o número, melhor a avaliação.

Um dos grandes apelos do Sandero é a sua garantia de três anos (limitada a 100 000 km), que, na verdade, é uma estratégia de marketing da Renault para acabar com o estigma de que os carros franceses têm manutenção mais cara que os demais. O Punto, por sua vez, oferece garantia de um ano sem limite de quilometragem.

Fiat Punto
Renault Sandero

Fonte:http://carroonline.terra.com.br//